Junto com a ideia de transmutação, que é o fundamento de todos os processos alquímicos, surge uma certa abordagem em relação às prescrições éticas da religião. No caso do Tantra, essa abordagem é uma das características que, por vezes, provocaram acusações de frouxidão moral, como mencionado anteriormente. Ela consiste em considerar até mesmo os vícios de uma pessoa como fontes de poder latente—virtudes mal aplicadas, mas ainda utilizáveis, desde que se saiba como manejá-las corretamente.
Reprimir simplesmente a expressão externa de uma tendência viciosa, por um esforço isolado da vontade realizado em um estado de relativa inconsciência, pode não ser o método mais eficaz para livrar a alma dessa tendência. Além disso, há o perigo de permitir a entrada de outro mal ainda pior para preencher o vazio criado em uma substância psíquica não preparada para atrair elementos de compensação de uma direção puramente espiritual. A história de Cristo sobre os sete demônios que ocupam a casa deixada vazia após a expulsão de um único demônio ilustra bem esse risco.
O curador tântrico ou alquímico baseia certas práticas na percepção de que, em comparação com a complexidade do pensamento humano, as paixões frequentemente apresentam um caráter relativamente simples e compreensível, permitindo que sejam usadas como matéria-prima em operações alquímicas iniciais. Utilizar provisoriamente um elemento passional para um propósito espiritual declarado não significa aceitar a paixão em si ou desmerecer a virtude da qual essa paixão é o reflexo negativo ou a sombra.
O verdadeiro praticante tântrico busca nada menos que uma regeneração integral. Para ele, todas as propriedades do corpo e da mente têm seu lugar adequado, e a arte está em saber como posicionar cada coisa em seu devido lugar, sem omissões ou supressões de fatores utilizáveis, independentemente das aparências.
Os julgamentos sobre práticas tântricas que escandalizam moralistas convencionais devem ser feitos à luz desse princípio geral. Quem adotar essa abordagem perceberá que a tradição tântrica é tão dedicada quanto a religião exotérica à promoção e prática das virtudes. Contudo, sua maneira de alcançar esse objetivo vai além dos sintomas ou da mera forma dos atos, focando no meio em que os atos surgem, buscando transformá-lo para que apenas a virtude possa prosperar.